Livro de biblioteca

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Não é todo mundo que gosta ou que tem o hábito de frequentar bibliotecas. As vantagens são muitas: ter acesso a um acervo quase inesgotável, sem qualquer custo e sem se preocupar com a preservação dos livros. O único retorno necessário é o compromisso de cuidar bem do livro e de devolvê-lo na data prevista. O livro, dessa maneira, deixa de ser visto como um objeto de uso pessoal e se torna um bem comum. O livro emprestado não é mais usado como um objeto de decoração que deixa seu dono com ares de cultura para suas visitas (por mais que ele não tenha lido os livros que tem), normalmente não costuma ser o best seller mais atual e nem serve como caderno de impressões durante a leitura. Quem frequenta bibliotecas se educa para pegar apenas o que pretende ler nos próximos dias, e permitir que os outros leiam o livro pelo menos no mesmo estado que pegou.

E tem também as bibliotecas livres, que nascem da iniciativa de pessoas comuns e seu desejo de partilhar conhecimento. Elas abrem mão de terem todos aqueles livros com elas, aguardando anos a fio para serem lidos; livros bonitinhos e preservados seriam livros subaproveitados, livros que transmitiram pouca informação. Aqui em Curitiba temos a Biblipote, criada pelo meu amigo Alessandro. O que define a Biblipote é a solidariedade. Primeiro, dos donos da padaria Pote de Mel que cederam o espaço. Depois, na formação do acervo, que conta com um acervo inicial doado pelo próprio Alessandro e aceita doações. Por último e mais importante, ela conta com a integridade dos leitores. É uma biblioteca que não faz qualquer tipo de cadastro, não tem prazo de devolução e muito menos multas. O leitor pode levar o livro para casa e ficar com ele o tempo que for necessário. O sucesso da Biblipote foi tanto que agora o Alessandro está animado em fazer minibibliotecas ao ar livre. É uma iniciativa linda, vale a pena conhecer.

Mesmo quando dão multas, o poder punitivo das bibliotecas costuma ser pequeno. De uma maneira ou outra, as bibliotecas sempre contam com as boas maneiras e compromisso dos seus frequentadores. Justamente do que mais duvidamos quando pensamos em estranhos. O Alessandro recebe muitos comentários incrédulos quando se propõe a deixar os livros disponíveis – de que vão roubar, que esse tipo de coisa só é possível em outros países, que os livros não serão bem cuidados. Quando vejo a Biblipote prosperar, ou quando empresto um livro na Biblioteca Pública que já passou por dezenas de leitores, lembro que o estranho pode apenas ser eu e você.

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