A escolha de Margarida

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Esse é um desenho muito antigo, de 1947. O ponto alto da história é quando Margarida tem que escolher (5:40) entre o bem coletivo – e do próprio Pato Donald – e o seu, e não hesita em querer fazer o que é melhor pra ela. Não tem como não se identificar.

Imagem de Amostra do You Tube

Quando penso na quantidade de pessoas que morreram por causas – fiéis, revolucionários, sufragistas, comunistas, grevistas, etc. – me parece que escolher o bem coletivo está fora de moda. É demodé. A hegemonia das explicações religiosas acabou há muito tempo, pelo menos no ocidente. Pela política também não vejo sacrifícios – alguns ainda se dizem marxistas durante a faculdade, fazem parte de centros acadêmicos e dormem em reitorias, mas nada que a necessidade de trabalhar não cure. Pelo meio ambiente estamos dispostos a usar sacolas diferentes e olhe lá. Não lutamos como outros já lutaram, porque em retrospecto não parece que valeu a pena. As revoluções prometidas não aconteceram, ou tomaram rumos indesejados. O sentimento reinante é de apatia. Como Margarida, socamos a mesa para dizer – Eu, eu, eu, eu!

6 comentários em “A escolha de Margarida”

  1. Tô na faculdade, faço parte de centro acadêmico. Não dormi na reitoria, mas já invadi.

    Bem, tava falando sobre isso, exatamente isso, com os meus colegas, agora há pouco. De como o nosso tempo é vazio, de como nossa geração é ausente de ideais coletivos. Somos filhos da geração que viveu um período bem crítico da história… e que viu, como você colocou aí, as revoluções, ou não acontecerem, ou não acontecerem como se pensou. Anunciou-se o fim da história e nós acreditamos: que a única coisa que há daqui pra frente é o “eu”.

    É, o sentimento reinante é de apatia, mas percebo que eles(nós) não querem ser apáticos. Somos apáticos porque… porque é isso que tem pro almoço. Deixa eu exemplificar… Organizamos um ato no começo do ano, no meu curso (medicina, um dos mais terrivelmente apáticos da universidade). Eu mesma tava desanimada, pois já conheço meus colegas de curso. Mas, incrivelmente, apareceram 600 pessoas (2/3 do curso) e 600 pessoas entusiasmadas por lutar por algo coletivo (impedir a privatização do nosso hospital universitário). Sei não… não tenho certeza, mas suspeito que somos apáticos porque é só isso que nos serviram. Desconfio que as pessoas queiram apenas viver bem e que é o nosso ambiente, nosso modo de produção, nossa cultura da apatia que não permitem. É mais que simples questão de escolha.

    E acho esse meu tempo muito é triste. Grande Depressão em sentido médico, psiquiátrico. Apatia demais, demais…

  2. Nessa semana descobri que um de meus melhores amigos, um que eu era capaz de colocar a mão no fogo quanto a sua alta moral, voltou de um cargo público com uns 200 mil reais indevidos na conta. Ele perdeu essa cargo, e tenta me fazer acreditar que a xerox que tem na faculdade lhe dá 10 mil reais por mês. Nunca havia questionado-o, e, na inocência contrária a meu senso crítico, nunca havia relacionado as casas que comprou para alugar com a renda que ele possui. Foi outro amigo que me abriu os olhos: “de onde veio tanta grana?”. Devo dizer que meu humor debilitado desses últimos dias também passa por aí. Não consigo mais ir à casa dele, e sinto que não temos mais assunto. Falar sobre o quê? O que me magoa é o quanto é facil deixar de lado as convicções espirituais quando o benefício material está à porta. O quanto tudo que se arvora conhecer e ser vai por água a baixo, quando a possibilidade dos cafajestes se torna uma realidade premente.

  3. Sinceramente, eu espero que a próxima revolução seja individual. Eu sinceramente acho que na maioria dos movimentos de massa se acaba adotando uma postura de rebanho, você tem uma liderança servindo de guia e um número enorme de pessoas fazendo volume e seguindo atrás.

  4. CAVERNA DE PLATÃO
    by Ramiro Conceição

    Com esse entulho de medo,
    no beco, construí um relógio.
    Não tem tarde. Não tem cedo.
    O tempo?… É um acessório.
    Nada termina… quando perece;
    e nem começa quando aparece.
    Quanta celebridade…na cidade.
    Tudo é dinheiro ao deus dos mosteiros.
    Há algo de podre…destinado ao fidalgo.
    Só há impressão…na caverna de Platão.

    PEQUENO
    by Ramiro Conceição

    Nosso amor é pequeno
    mas grande é a natureza
    nele; por isso vivo
    e morrerei por ele.

  5. Pois eu estou bem cansada do vazio do “eu, eu, eu, eu!”, discurso que rege os tempos hodiernos e que está infiltrado em todos os cantos, frestas e veredas da sociedade.
    A apatia e solidão atuais, quer me parecer, são nada mais nada menos que frutos deste tal discurso, tão mesquinho e tão míope.

    Abs,
    P.

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