Eu não consigo emagrecer

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O título do livro do Dr. Dukan, inventor de uma dieta com o mesmo nome, é bastante atraente para a pessoa que já tentou de tudo e jamais emagrece. Ao mesmo tempo, colocar esse livro como um simples livro de dieta não deixa de ser uma redução. Esse livro é um daqueles que dá vontade de sair presenteando aos amigos, até para os que não precisam emagrecer. Sobre a dieta em si, o que posso dizer é que tenho amigas que fizeram, emagreceram e continuam magras. O que me atraiu no livro a ponto de vir aqui escrever – e não deixá-lo apenas para minha consulta pessoal – é a maneira como o Dr. Dukan entende o problema da obesidade de maneira muito pragmática e se dispõe a lutar contra a epidemia de obesidade do mundo.

A primeira coisa que me chamou atenção foi Dr. Dukan reconhecer que comer é bom. Nosso organismo vê em qualquer excesso a possibilidade de estocar comida para tempos difíceis, ele não está programado para nossa superabundância calórica. Nós vemos em qualquer embalagem de chocolate o desejo de comer todos os quadradinhos, porque aquilo é gostoso e nos tranquiliza. Não é possível, simplesmente, dizer que as pessoas devem abrir mão dessas calorias. Comida não é apenas caloria, comida é um monte de coisa: é fonte de prazer, sociabilidade, amor, recompensa, compensação, etc. De acordo com o Dr. Dukan os primeiros estudos de nutrologia surgiram depois da grande guerra e comparavam o corpo a uma máquina: se o corpo gasta menos calorias do que entra, ele engorda. Embora pareça bastante lógico, esse tipo de pensamento não levava em conta a natureza digestiva de cada tipo de alimento e, principalmente, a relação das pessoas com a comida. Por ter bases tão dissociadas da realidade, esse raciocínio tem se mostrado totalmente ineficaz diante da epidemia de obesidade de vivemos hoje. É preciso, então, partir de outros pressupostos.

Dr. Dukan demonstra conhecer bem o seu público alvo. Ele fala do impulso inicial e desesperado de se começar uma dieta, quando a pessoa se sente apta a abrir mão de tudo, até de comer o que gosta. Mas essa fase não dura muito; o entusiasmo vai baixando e a pessoa gradualmente abandona as diretrizes. E mesmo quando o objetivo da dieta é alcançado, a tendência a recuperar o peso é muito grande porque o sujeito relaxa. A maioria das dietas ensina a perder peso, mas depois do objetivo alcançado apenas exorta as pessoas à moderação: “Pode comer, mas coma menos e evite a sobremesa”. Dr. Dukan diz: não adianta dizer para comer menos, se a pessoa engordou tanto é porque ela gosta de comer. É difícil convidar à moderação quando temos tantas ofertas de comida; ninguém abre mão pra sempre só porque não faz bem ou vai engordar. O seu método leva em conta essa psicologia e tenta se ajustar a ela: no início, maior restrição e maior emagrecimento, para aproveitar a euforia e a vontade de mudar. Depois, um período de emagrecimento com um pouco mais de concessões. Com o peso já estabelecido, mais concessões ainda. E, ao longo da vida, o compromisso de um dia de limpeza durante a semana.

Chega a ser comovente a preocupação que o Dr. Dukan demonstra, ao longo do livro, com o problema da obesidade, e seu desejo sincero de ajudar. Ele explica a base científica de seu método, o porquê da escolha de cada alimento, oferece cardápios, insiste na prática da caminhada, e outras coisas que se espera de um livro de dietas. Mas ele também fala do papel que a comida cumpre num mundo tão infeliz, da dificuldade dos obesos, do distanciamento das pessoas de seus corpos, da busca pelo prazer. Com seu livro e o seu site (https://www.dietadukan.com.br/), Dr. Dukan procura ser um agente de mudança para que todos tenham direito à saúde e  à beleza. Espero que consiga.

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