Muito além do peso

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Por Adriane Hagedorn

Não te dá um nó na garganta ouvir de uma criança que o que falta em sua vida é o sentido? Então se prepare para muitos outros nós que estão por vir!

O filme “Muito além do peso”, de Estela Renner nos dá um soco seco no estômago e trata de forma clara e educacional o descaso que se tem com a alimentação correta. Você imagina um mundo com crianças que não sabem distinguir uma batata de uma cebola; ou um abacate de um pimentão?

O documentário – que estreou em novembro – apresenta dados assustadores de cultura, educação e da alimentação de crianças brasileiras. O aparentemente inofensivo refresco de fruta em pó, por exemplo, é um dos vilões da alimentação que já começa com o pé errado desde cedo. Em 35g de refresco, há 28g de açúcar e 1% de fruta! Isso contribui a um outro fato: 51 quilos, peso médio de consumo anual de açúcar por brasileiro.

De todos os dados informados no documentário (que nos surpreende a cada nova informação) um me pegou de surpresa: 56% dos bebês ingerem refrigerantes com frequencia antes de completar um ano.

Leio o restante do post e os videos que ele apresenta.

 

ATUALIZAÇÃO: é possível ver o documentário completo aqui.

4 comentários em “Muito além do peso”

  1. Por isso que luto para formar gente que possa atuar na área da educação com consciência de tudo isso, já que uma grande maioria dos pais não parece ter. Aliás, na minha escolha de escola. este ano, pesou muito o fato achar uma que abraçasse essa causa. Esse documentário destroça qualquer adulto.

    1. Sabia que o video te sensibilizaria. Eu até me abstenho de comentar coisas que se referem à maternidade, porque não me sinto no direito. Mas que é difícil entender os pais deixarem as coisas chegarem nesse ponto, isso é.

      1. Eu te entendo. Você deve ouvir o que eu ouvia: não pode falar porque não é mãe. Bobagem. A maternidade não mudou minha forma de pensar, nem me tornou uma pessoa melhor ou acima do que eu era. Além disso, bom senso existe independente de se parir ou não. Costumo ver as crianças com os pais e ficar estarrecida com alguns costumes adotados. Quando eu era pequena e ganhava um chocolate, era um, e não uma caixa, e isso nunca seria aberto antes de uma refeição. O combo mais comum na frente das crianças em restaurantes é de deixar qualquer um enlouquecido: batata frita com coca na mamadeira. Batata frita é uma delícia, mas não nutre, pode até figurar como complemento, jamais substituir uma refeição.
        Não estou dizendo que é fácil lidar com a alimentação infantil, e mais difícil é ainda para as mães. O papel delas como nutrizes, tendo ou não amamentado, sempre pesa. A tentação de estar a todo tempo verificando se os filhos comeram, substituir o que eles não comem pelo que podem querer comer, dizer só mais um pouquinho, e não negar comida é forte demais. Parece que se não se fizer isso, se estará negligenciando o papel fundamental de alimentação das mães. Uma experiência feita numa hospital dos EUA dá uma noção do que estou falando. Nela, foi dado a um grupo de mães, um saquinho e um prato de comida. Elas foram orientadas a colocarem comida nos saquinhos como se estivessem alimentando os filhos. Todas as mães encheram o saquinho até a borda e uma significativa parte delas, deu uma empurradinha com a colher para caber mais (conhece o “só mais um pouquinho? vai filhinho, uma colheradinha pela mamãe, pelo papai, pela… a família é grande). Lá se vai a noção do limite de saciedade. A pesquisa, se não me engano é descrita nos livros do Dr. Brazelton, neo-natologista americano.
        Por outro lado, não digo, igualmente, que a mídia é isenta de culpa e que a oferta que temos de alimentos processados não é péssima. Contudo, dizer não, colocar horários, oferecer o saudável e, principalmente, negar o ruim não é negligência, é amor. Eu defendo a necessidade de cartilhas que ensinem como lidar com a alimentação nos primeiros anos das crianças, distribuídas em postos de saúde e consultórios pediátricos. Isso porque nós pais, somos muitas vezes ignorantes disso, mal saídos de uma juventude (ou ainda nela) em que se almoça sorvete e se come pizza às 4h da manhã. No entanto, se isso é divertido para adolescentes, não é o mais indicado para crianças pequenas.
        Minha esperança é que documentários como estes se tornem virais, que sejam exibidos nas escolas, em reuniões de pais, e que deixem de me chamar de louca porque aos 4 anos meu filho toma leite sem açúcar e desconhece o Nescau.

        1. Disse tudo, Nikelen. Também tenho esperança de que videos como esse consigam dar às pessoas noção do quão enorme esse problema é. Obesidade precisa parar de ser tratada como questão de foro íntimo, de desleixo de gente gorda, pra assumir seu papel de doença e problema de saúde pública.

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