Imortalidade, por Jorge Luis Borges

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A morte (ou sua alusão) torna preciosos e patéticos os homens. Estes comovem por sua condição de fantasmas; cada ato que executam pode ser o último; não há rosto que não esteja por se dissipar como o rosto de um sonho. Tudo, entre os mortais, tem o valor do irrecuperável e do casual. Entre os Imortais, por sua vez, cada ato (e cada pensamento) é um eco de outros que no passado o antecederam, sem princípio visível, ou o fiel presságio de outros que no futuro o repetirão até a vertigem. Não há coisa que não esteja como que perdida entre incansáveis espelhos. Nada pode acontecer uma única vez, nada é preciosamente precário.

O imortal, p. 21/ O Aleph

Eu procurei essa história por toda parte, tal como o protagonista procurou o rio, desde que um professor a contou na faculdade. E saber de antemão o que aconteceria de nada diminuiu o impacto da descoberta. Sou precipitada em dizer que se for para ler uma única coisa que Borges escreveu, essa é uma excelente recomendação?

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