Por que a arte moderna é tão ruim?

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Pouca gente gosta de arte moderna e tentar colocar isso em palavras sempre nos deixa (pois é, sou do time que não gosta) com um ar de retrógrados e ignorantes. Este vídeo consegue colocar em argumentos coerentes o que muitos pensam e sentem.

Obrigada por compartilhar, Chicuta.

8 thoughts on “Por que a arte moderna é tão ruim?

  1. Ainda bem que retardados como vocês que postam estas bobagens não tem nenhuma influência sobre o meio artístico, caso contrário teríamos todos que correr para as montanhas!!!

  2. Sugiro que o blog também exiba essa exposição realizada pelos nazistas em 1937, chamada “Arte Degenerada”. O link está abaixo:

    https://www.youtube.com/watch?v=NmdO9tWeptY

    Os nazistas e Adolf Hitler compartilhavam das mesmas opiniões do autor desse vídeo sobre a “arte moderna” e fizeram essa exposição para demonstrar o “horror” que era a “arte moderna”. Claro, a estratégia de liberação do povo alemão dos “horrores” da arte moderna não uma “solução de mercado” como propõe o apresentador do vídeo. Stalin também não curtia “arte moderna” e a substituiu pelo “realismo socialista”. Está aí uma outra alternativa histórica para o “desastre estético” da “arte moderna”. Aliás, o stalinismo transmutou seu ideário estético também para a música e outras áreas da arte. Afinal, os filhos da revolução só poderiam fazer músicas alegres, né? É mais ou menos como a visão artística do dono do vídeo: arte é somente para encantar. Se não for pra ficar embasbacado na frente de um quadro ou de uma escultura, definitivamente não é arte, não pode ser. Arte é matemática e imutável, assim como os padrões de beleza, né? Só ver as mulheres dos quadros da renascença e se vê que a percepção estética é a-histórica, né?
    Então, deixo aí várias sugestões alternativas que a história já deu para matar a “arte moderna”. Imagina, então, o que não pode ser pensado sobre como matar o horror que é “arte contemporânea”, não é mesmo?

    • Oi Márcio!

      Eu concordo com os teus argumentos. Uma vez postaram sobre a sensibilidade artística e estética ser necessariamente sinônimo de pureza de caráter (não foi esse o termo usado, mas não lembro qual foi) e respondi com o mesmo exemplo que você – como acreditar nisso após o nazismo? Se a arte moderna é uma degeneração, como não cair na atitude autoritária do hitlerismo e regimes comunistas (o maoísmo também fez a limpeza), que além de tudo produziu obras bastante pobres? Não vi as críticas do video nesse caminho, assim com também não acho que não gostar das coisas como estão aponte necessariamente para a “limpeza”. Mas sei que isso sou eu.

      O problema é que nós, retardados (pra citar o comentário do Juliano) somos muitos. Acho que mais do que classificar as posições como autoritárias ou retardadas, esse tipo de discussão evidencia que alguma coisa aconteceu no meio do caminho. Alguma coisa acontece entre produção artística e público, entre entendidos e leigos, entre o que é valorizado nas galerias e o que toca as pessoas comuns. Existe uma nostalgia no ar, ou um autoritarismo, ou uma má vontade. O fato é que é mais fácil encontrar quem concorde do que discorde desse video. Você tem razão, valores artísticos mudam e a eleição do belo e do encantamento é arbitrária. Mesmo assim, olha quantos likes; você sabe que a maioria das pessoas, se fosse comentar, diria que concorda com o video. O porquê disso me parece a questão mais importante a ser respondida.

      • Veja bem, de repente seja melhor tentar refazer o argumento. Sinceramente, não acredito que haja uma rejeição generalizada e mundial à arte contemporânea. Por exemplo, caso essa rejeição fosse um fato como se explicaria o fato de que a maioria dos museus mais visitados do mundo hoje em dia ou possuem coleções ou se dedicam exclusivamente a colecionar e exibir arte moderna e contemporânea?
        Obviamente, desde o modernismo houve uma virada epistemológica que transformou o significado do que é uma obra de arte e essa mudança de estatuto da arte – como a de qualquer outra área – sempre enfrenta reação. E, veja, isso não quer dizer que todas as obras de arte contemporânea são boas, muito menos que sejam ruins. A generalização é onde mora a estupidez e onde mora o perigo do autoritarismo.
        Hoje, existe, como diz o vídeo, muita coisa ruim que se apresenta como arte. Mas, isso não é uma novidade histórica. Provavelmente, sempre tenha sido assim. Antes do modernismo, também tinha muita coisa ruim que se apresentava como “boa” arte.
        O problema desse vídeo é que não trata a construção do gosto, do belo e da arte como histórica. O apresentador prefere estabelecer uma lógica binária entre “padrões universais” e “relativismo cultural” que é estúpida e desrespeitosa. As coisas não são assim, entre preto e branco tem cinza e um mundo de outras cores.
        Os artistas enfrentam o dilema de compor suas propostas artísticas e ganhar o reconhecimento do público há muito tempo. E veja: reconhecimento de público também não significa o mesmo que boa qualidade – esse seria um índice perigoso de mérito artístico. Não foi a toa que Van Gogh não encontrou grande audiência para suas pinturas em seu tempo. Ou mesmo que Mozart – pra irmos pra esfera da música – somente tenha ganhado o status de “gênio” tempo depois de sua morte.
        A transformação epistemológica por que passou a arte nos últimos 150 anos, transformou as obras de arte moderna e contemporânea em instâncias reflexivas sobre essa produção histórica e uma plataforma de produção de conhecimento. As boas obras são capazes de através de solução estética apresentar temas do mundo da arte e do mundo da vida que muitas vezes é complicado transformar em palavras. Não é possível entender a arquitetura de nossas casas, a música popular (seja o rock, a bossa nova, etc, etc), a moda, os móveis que temos em casa sem passar pela arte moderna e contemporânea.
        Eu entendo que exista uma reação a essa linguagem. Como eu disse acima. Uma reação desconfiada ou de rejeição ao desconhecido é normal. Poderíamos dizer que acontece com a ópera aqui no Brasil – que aliás tem de fato um público muito reduzido -, as pessoas desconhecem a linguagem, os códigos, etc, mas isso não quer dizer que seja ruim. Entendo isso ainda mais em um país como o nosso, onde não há a tradição das pessoas frequentarem os museus, onde os museus sobrevivem em condições precárias e onde o investimento em arte e educação é baixo.
        Então, não sei se “aconteceu algo no meio do caminho” exclusivamente no campo da arte. Acho que aconteceram coisas pelo caminho no sistema de educação (no caso brasileiro tivemos um ditadura, por exemplo) ou no plano mundial com surgimento e o predomínio da indústria cultural que definiu uma série de questões sobre o gosto, sobre aquilo que toca “as pessoas comuns”. A arte contemporânea reage e bebe dessa situação como todas as demais. Ela é um processo vivo, contraditório, complexo. Talvez, por isso mesmo seja arte. Talvez, por isso cause reações. Talvez, os compartilhamentos feitos aqui sejam na verdade índice do sucesso de sua proposta – será? -. Ou, penso eu, na verdade são as perguntas que estão mal colocadas. Enfim, seguimos.

  3. Me parece, embora o vídeo revele certo conservadorismo, comparando a apreciação entre uma arte consagrada e a assimilação do novo, entendo que o foco para reflexão não estaria exatamente na defesa daquilo que esta consagrado com linguagem, e nem mesmo na identificação de numa resistência ao novo ou na liberdade de criar e de se renovar. Pois, parto do princípio, me parece, que o palestrante tem sensibilidade e sabe que a arte sempre se renovará, independentemente de censuras ou patrulhamento cultural ou ideológico.
    O que me parece importante, é uma certa confissão de angústia em relação à apreciação da arte e de suas propostas. Há algum tempo, o que se chama de arte moderna perdura, o que até já transparece certo anacronismo conservador.
    E, portanto, urge a renovação. No, entanto, quanto mais se tenta renovar, mais se fica no mesmo lugar. Como encontrar caminhos para sair de certa estagnação? Muitas renovações, ao final do sec XIX, foram alcançadas com releituras do passado. A música impressionista de Debussy, por exemplo foi buscar na Idade Média, no uso das quintas paralelas, nas cadências modais do canto gregoriano, todo herdado dos modos da antiga Grécia, e assim criava sonoridades totalmente novas, e ao mesmo tempo, plena de arcaísmos.
    Chamar-se a arte atual de estagnada e que, de moderna, na perspectiva de futuro ou mesmo de atualidade, pouco está a oferecer, e apesar dos diversos experimentalismos, vanguardismos e tantas rupturas com tradição, ocorridas ao longo do sec. XX, e onde tanta liberdade criativa se conquistou.
    Mas, a arte, se é possível generalizar, talvez venha a se deparar, mais uma vez, com numa encruzilhada, e tão trivial como em outros momentos na história, onde permanecer representava o mais puro e decadente conservadorismo.
    Os amantes da arte querem se sensibilizar novamente, querem se emocionar, de alguma forma se identificar, e, principalmente, se apaixonar por novas e contundentes propostas, e cultuando novos ícones, entre autores e objetos artísticos.
    No entanto, se quedam frustrados por não se emocionarem mais. Esta difícil se emocionar e se encantar com a arte? A arte liberada e que tudo podia, tem perdido vigor e profundidade, perdido consistência, ou até se perdido de si mesma – ou está perdida em si mesma? Carece de mais objetividade, depois ou em meio a tanta subjetividade?
    E por ser tão livre e descomprometida, resta apenas a satisfação do narcisismo de seus próprios criadores. Neste caso para que os espaços públicos, os concertos ou as exposições? Talvez existe um distanciamento sofisticado, ou não,
    e muita desinformação, onde me incluo.
    A liberdade de leitura é ótima, e o público pode também criar através desta liberdade. A arte moderna possibilitou novas reflexões, que em séculos anteriores não se fazia através de propostas estéticas. No entanto, sempre se presume alguma técnica, domínio de uma ferramenta e construção de linguagem, trabalho artesanal, onde até a busca da simplicidade, ao retirar o desnecessário, exige intenso trabalho.
    Técnica não garante qualidade ou perenidade, mas ausência de qualquer técnica e pura reflexão, para um objeto artístico, me parece inaceitável. A densidade e os significados também estão ligados a sutileza e ao detalhismo. Talvez o vídeo aponte um pouco nesta direção. O isolamento e a dificuldade entre os próprios artistas de se reconhecerem nas suas linguagens, conseqüência de um imenso e variado universo subjetivo? A arte atual tem perdido em técnica, sobretudo em técnicas comuns a vários criadores, o que, tempos atrás, gerava escolas, tendências e reflexões comuns sobre a expressividade?
    A arte atual parece, de certa forma, prescindir de algumas técnicas passadas, por exemplo, a figurativa, abandonada por muitos e bastante castigada, tida inútil e fora de moda, mas que exigia extremo treinamento, fosse na pintura ou na escultura, e, assim, com base em diversos conceitos de desconstrução, se justifica. A arte que desconstruiu tudo e, de repente, desconstrói a si própria. Jogo de palavras, talvez.
    Assim, nas questões de gosto, o público fica a mercê, por exemplo, de que qualquer martelada numa pedra já uma garantia “a priori” de linguagem e até de qualidade artística. O artista não se sente comprometido, nem com o público, e, muitas vezes, nem consigo mesmo. qual o comprometimento da arte, afinal? A arte que se explica por si só e se basta, apenas conceitualmente. E onde o conceito justifica mais a obra, do que a obra em si e o trabalho artesanal.
    Gostaria de me emocionar mais com boa parte da arte moderna. Sobretudo criar novos e significativos referenciais, tais como em muitas obras do passado, e ver aquele espírito se renovar no presente. Por isto, talvez, na contemporaneidade, se padece um pouco deste tipo de frustração e incapacidade de se emocionar profundadamente com o que acontece no presente..
    Nesta reflexão, com certa ousadia, penso que a arte precisará novamente se libertar de si mesma, para encontrar os novos parâmetros e significados de que necessita. Neste sentido faço a leitura do vídeo.

  4. Pingback: Arte degenerada | At., Caminhante

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