Escrita e dinheiro, por Ubaldo Ribeiro

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Duas razões me fizeram incompetente em matéria de dinheiro. A primeira vem da profissão, pois a opulência não costuma acompanhar as letras. Lembro de um outro escritor, respondendo sobre se livro dá dinheiro. “Dá, sim”, disse ele, “Contanto que não se seja o escritor”. E, de fato, tenho na memória viagens com editores e escritores, aqueles na primeira classe, estes na econômica. Volta e meia, um editor aparecia para ver os escritores. Que inveja da nossa criatividade, da glória, da liberdade do artista – ah, se pudesse estar ali conosco, em vez de aguentar os chatos lá da frente, mas, sabe como é, noblesse oblige, que é que se pode fazer? E voltava entristecido para sua poltrona palacial, seu champanhe e seus menus premiados, deixando-nos com nossa glória, nossa cerveja morna, nossos sanduíches ressequidos e nossas aeromoças tão doces de trato quanto um sargento dos Fuzileiros Navais.

Educação Financeira, p. 43. In: Um brasileiro em Berlim

 

(Caso tenha ficado curioso, o outro motivo é o fato de ser brasileiro.)

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