Fisiologia, prazer e sexo anal

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Nos muitos comentários contra este vídeo, dizem que os dados sobre endocardite estão errados e que é clara a visão preconceituosa dela a respeito da homossexualidade. Eu não tenho formação o suficiente para discutir os dados que a palestrante levanta e opiniões abalizadas seriam muito bem vindas. Entre os defensores, há os que dizem que “Deus criou tudo perfeito como deve ser”, o que eu também me parece bastante complicado, porque não usamos “tal como deve ser” muitos órgãos – somos bípedes, comemos alimentos industrializados, tiramos pedaços do nosso corpo, medicamos, fazemos enxertos, etc.

O que torna essa discussão interessante, para mim, são as perguntas que a palestrante coloca no início: de onde surgiu o consenso de que sexo anal é ótimo e muito prazeroso a qualquer mulher, se feito da maneira correta? Com endocardite ou não, as explicações dela expõem a fragilidade, do ponto de vista físico, da penetração anal em relação à vaginal. Que, por mais que os discursos atuais tendam ao contrário, não é uma simples questão de “respire fundo e tenha boa vontade, querida”. Há uma clara influência da indústria pornográfica sobre esse discurso e a ênfase não está no prazer feminino. Vale lembrar que as consequências do pornô vão além daqueles que estão no filme, ele influencia a forma como todos os que assistem vivenciem sua sexualidade – e algumas dessas pessoas ainda estão na adolescência:

Uma clínica geral, vamos chamá-la de Sue, disse: “Receio que as coisas estejam muito piores do que as pessoas imaginam”. Nos últimos anos, Sue tratou de um número crescente de garotas adolescentes com lesões internas causadas por praticar sexo anal frequente; não porque elas queriam, ou porque elas gostavam – muito pelo contrário – mas porque algum garoto esperava que elas fizessem. “Vou poupá-las dos detalhes macabros, mas essas meninas são muito jovens e pequenas, o corpo delas simplesmente não foi feito pra isso.”(….) Quando Sue as questionou mais tarde, elas disseram que se sentiram humilhadas pela experiência, mas simplesmente não sentiam que podiam dizer não. Sexo anal é regra entre os adolescentes agora, mesmo as garotas sabendo que dói.

(Retirado de: A pornografia tornou o panorama da adolescência irreconhecível)

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