Pina Bausch: bela e visceral, trágica e esperançosa, sua arte renasce em filme

O filme Pina, de Wim Wenders, era para ser feito em parceria com Pina Bausch, que descobriu em si um câncer cinco dias antes das filmagens e morreu dois dias antes do início delas, em 30 de junho de 2009. Wenders desistiu imediatamente do projeto mas foi convencido pelos bailarinos da coreógrafa a ir em frente. Assim, Pina é, na verdade Ein film für Pina Bausch. A tradução do tíitulo para Pina, simplesmente Pina, no Brasil, é um empobrecimento do original: Um filme para Pina Bausch. Pois é isto mesmo, trata-se de um filme dedicado a Pina Bausch, uma homenagem. O resultado — que está em cartaz nas maiores capitais brasileiras — é excelente. O filme traz entrevistas com seus colaboradores e conta um pouco da trajetória da artista, mas, principalmente, permite que o público tenha a experiência de ver o seu trabalho. Foi filmado em 3D, o que finalmente dá sentido à existência dessa tecnologia. Pina já tinha experiência no cinema: atuou em La Nave Và (1983), de Fellini; colaborou com Almodóvar em Fale com ela (2002); foi tema de documentários, com destaque para Un jour Pina m’a demandé (Um dia Pina me perguntou), de Chantal Ackerman, e dirigiu um filme, o perturbador Die Klage der Kaiserin (O Lamento da Imperatriz, 1990).

Estado de espírito

Tenho sentido dificuldades imensas de postar, aqui e no outro blog. Principalmente aqui, que é menos pessoal. Passei o fim de semana envolvida no workshop de flamenco, comecei a frequentar aulas diferentes e por causa disso tudo estou voltada para preocupações mais físicas – como fazer um certo movimento de braço, de que forma colocar a minha energia, qual a distribuição de peso e outras coisas que soam bastante abstratas para quem nunca esteve envolvido em um trabalho de aprimoramento de movimentos, seja de que modalidade for.

Eu sinto claramente, em mim, no meu corpo, na minha forma de pensar, a diferença entre a inteligência exigida pela dança e a exigida nos processos intelectuais. São quase opostas, e para serem feitas com qualidade as duas necessitam de uma certa absorção. Para ler eu preciso estar tranquila, introspectiva. Meu corpo deve estar mais desligado, apto a passar longas horas mudando pouco de posição porque o foco é outro. O raciocínio deve ir a outro lugar. Quando uso a parte da dança, estou agitada e muito desperta. Minha mente está a serviço do corpo, se perguntando qual a melhor forma de fazer algum gesto, que em breve se transforma no gesto mesmo e precisa ser repetido à exaustão até o corpo entender. Reviso os passos mentalmente o tempo todo. Ir de um estado a outro é difícil – nos últimos anos, muito mais difícil do intelectual pro físico. É algo como ter que puxar de volta uma pipa que voa linda no céu para ir a escola.

Esse é meu estado atual. Como estou com dor nas costas, tenho que me voltar rápido. E depois conto as novidades.