Eu, Robô

Quando me propus a ler Asimov, eu fiz tudo errado. Comecei por Fundação, que lá pelo meio do livro fica muito chato, e leva mais de cem páginas pra recuperar o ritmo. Depois li Fim da Eternidade e Nêmeses, que são histórias menores. Deveria ter começado por Eu, Robô – uma história dinâmica, criativa e inesperada. Esse livro justifica toda adoração por Asimov. Esqueça o filme com Will Smith, que não tem nada a ver com o livro, fora o fato de citar As Três Leis da Robótica:

1- Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2- Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.

3- Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis.

Essas leis, que parecem tão simples quando lemos, são destrinchadas por Asimov em cada uma de suas possíveis complicações. Há um fio condutor, mas na verdade o livro é constituído de várias histórias de problemas de relacionamento com os robôs, quase sempre por causa das leis. Sobre ferir um ser humano, isso pode ser tanto no aspecto físico quando psicológico? E quando esse cuidado de não permitir que o ser humano sofra qualquer mal é tomado tão literalmente que impede o uso de robôs em lugares de risco? Como um robô reagiria de posse de informações desejadas mas que se fornecidas podem gerar algum mal? O que nos parece claro pode não ser quando pensamos numa programação – tal como acontece de verdade. O autor levanta essas questões e cria histórias, suas consequencias e soluções. O final é uma verdadeira provocação científica e uma confissão de fé. As quase trezentas páginas passam sem sentir e eu estou louca para ler Nós, Robôs.

George e o segredo do universo

Eu não sei pra que idade o livro George e o segredo do universo se destina. Embora não tenha sido feito pra mim, eu li com interesse. Também posso imaginar uma criança interessada em ficção científica com ele nas mãos. A história é simples, mas bem amarradinha. Algumas descrições são tão bonitas e sinestésicas, que fico muito curiosa em saber se elas foram obra de Lucy ou do próprio Stephen Hawking:

No entanto, a Casa Vizinha era totalmente diferente. Muitas vezes George subiu no teto do chiqueiro para observar por cima da cerca aquela gloriosa floresta emaranhada. O matagal exuberante formava pequenos esconderijos, e as árvores tinham ramos encurvados e cheios de nós, ideais para um garoto subir. Amoreiras silvestres cresciam em grandes touceiras espinhentas, com os galhos ondulados parecendo se espichar em estranhos braços como trilhos de uma estação ferroviária. No verão, as ervas daninhas se enroscavam em todas as outras plantas do jardim, como uma teia de aranha verde; dentes-de-leão amarelos brotavam por toda parte; uma serralha sanguinária gigante, de espinhos venenosos, se destacava, ameaçadora, como uma espécie de outro planeta, e pequenos miosótis azuis cintilavam sua beleza em meio àquela brilhante confusão verde do quintal da Casa Vizinha.

p.14-15

George tem pais idealistas e radicais no repúdio à ciência. Graças à um super computador, ele passa a ter acesso à viagens pelo universo e sem querer se mete numa disputa entre cientistas. Além da aventura em si, o livro é sensível e fala de inseguranças, ser diferente na escola, ética. Separadas e dentro do contexto da história, explicações sobre os planetas, cometas, galáxias, buracos negros. As informações estão resumidas e acompanhadas de lindas fotos. É um livro que não duvida da inteligência das crianças e que coloca qualquer um mais interessado nas origens do universo.