Hairspray

Em uma palavra, Hairspray é filme de mulherzinha. Não digo isso de forma pejorativa, eu amo o filme. Ele é baseado num musical da Broadway. A trama não é profunda e nenhum conflito imprevisível ou angustiante; o forte são as cenas de canto, dança, os figurinos, ver a gordinha simpática triunfar. Tem John Travolta mostrando os seus dotes de bailarinos como uma mulher – conheço quem tenha visto o filme quatro vezes sem saber onde é que ele estava – e um elenco todo funciona bem. É um filme leve, daqueles que deixa a pessoa feliz e otimista depois que assiste.
A protagonista, Tracy (Nikki Blonsky), chama atenção desde o início por não ter o comportamento que esperamos de uma adolescente em cima do peso – ela gosta de si mesma do jeito que é, e nunca se coloca como a menina gorda. Ela é confiante e se propõe a ser estrela de um programa de dança e a conquistar o garoto mais desejado do colégio. E quase todo mundo reage de maneira positiva à sua confiança. A voz dissonante é a da vilã Velma (Michelle Pfeiffer) que impõe seu padrão de beleza magra e branca ao programa de TV que é o centro da história. E é aí que entra Tracy entra numa discussão maior do que apenas ser bonita ou ser gorda – ela conhece o racismo e do desrespeito às diferenças.

 

As músicas são excelentes. Elas funcionam no musical e também fora dele. The new girl in town contrasta a cultura branca e convencional, com a cultura negra, muito mais calorosa e requintada. Good Morning, Baltimore!, música de abertura do filme, mostra uma Tracy fofa, otimista, alegre, daquelas músicas que se pode dizer – “essa música me representa”. Ao mesmo tempo, ela não deixa de mostrar que a felicidade da protagonista se baseia na ignorância dos problemas que a cidade enfrenta. The Nicest Kids in Town dá vontade de fazer parte de tudo aquilo: o barato de assistir TV, de sonhar com as estrelas, ser diferente dos pais e faltar aulas – quem precisa ler e escrever quando se pode cantar e dançar? A última música do filme, que está incompleta no primeiro video que eu postei, é apoteótica. As músicas mais maduras são as cantadas pela representante negra do programa de TV, Motormouth (Queen Latifah). Em Big, blonde and beautiful ela discute os padrões de beleza e I know where I´ve been fala da luta contra o preconceito. Whitout love é romântica e ingênua, com metáforas pueris que combinam com o primeiro amor daqueles que a cantam. Minha canção preferida, que achei por acaso enquanto fazia este post, é esta: