Fim, por Fernanda Torres

Quando a imensa publicidade em torno do livro começou a vender Fernanda Torres como escritora, eu torci o nariz e tirei aquela conclusão óbvia: está recebendo todos os louros e sendo publicada logo de cara por uma grande editora por ser uma atriz famosa, se fosse Joana da Silva… Entrei numa FNAC, vi o livro bem posicionado na entrada e decidi submetê-la ao teste do parágrafo aleatório. Não fui tão aleatória assim, li a primeira página inteira. Fechei o livro com raiva. Não é que bandida escrevia bem mesmo? Vi numa entrevista dela que o livro já recebeu diversas traduções, agora tem o outro, e a crítica se desmancha em elogios para ambos. Do mesmo modo que estava disposta a odiar o livro quando dei com cara com ele, na FNAC, há 4 anos, estava disposta a me derreter por ele durante quase toda leitura. Mas livros têm o mesmo problemas dos filmes: o gosto que nos deixa o final contamina a experiência toda.

A estrutura da história é simples: são cinco amigos, cada parte dedicada a um deles e seu fim. Quando revisam a própria existência, falam um dos outros e destacam as mesmas experiência como definidoras. Os diferentes pontos de vista iluminam os pontos escuros das narrativas uns dos outros.

Precisava dividir o momento com alguém, mas a única carpideira presente não parecia a fim de conversa. Ignorando a reserva de Irene, avançou até a cadeira vizinha à dela. Irene estremeceu, fingiu não notá-lo. Que coisa…, balbuciou o homem. Pois é, que coisa, respondeu Irene. Uma hora a gente está aqui, na outra desaparece, mas Deus sabe o que faz. Não. Não era possível que ainda fosse obrigada a escutar a seleção de lugares-comuns de alguém que nunca vira antes. Melhor interrompê-lo. O senhor era amigo do Álvaro? Fui eu que prestei socorro, sou porteiro do prédio há mais de quinze anos. O tempo voa. A gente se acostuma a ver a pessoa todo dia e, de repente… Por isso é que eu vivo cada segundo como se fosse o último, não se conhece o dia de amanhã, a vida é um fósforo que a gente risca e não sabe a hora que apaga. Irene cogitou gritar por ajuda, tinha horror a clichês. É pra frente que se anda. Não tem como voltar atrás. Não se controla a vontade de Deus. O porteiro era uma metralhadora giratória de frases feitas. (Álvaro/ 355 de 2296)

O livro tem momentos hilários, dinâmicos, gráficos, como se assistíssemos a uma peça de teatro ou uma daquelas maravilhosas minisséries sérias da Globo. O caminho que ela fez, como atriz, parece dar um outro caminho à forma de narrar e as cenas são muito naturais. O sexo é parte importante da trama e também não parece ter oferecido a autora qualquer dificuldade. Apesar de ter a morte como tema, o livro é leve e despretensioso, unânime na sua capacidade de prender o leitor, mas… me decepcionou no final. O personagem mais interessante é, de longe, Álvaro, que abre o livro. Ele abre o livro porque é o que tem a vida mais longa, as mortes seguem ordem decrescente de idade. À medida que a história avança e o grupo fala de si mesmo, todos tem Ciro como ponto focal, como o mais interessante e apaixonante, aquele cuja morte representou o fim do grupo, um homem visado em todos os lugares que entrava. Mesmo não sendo os outros personagens tão interessantes e engraçados como Álvaro, o desenvolvimento da trama cria uma expectativa em torno de Ciro. Depois do início brilhante de Álvaro, o livro foi gradualmente perdendo calor – alguns personagens ficam indistintos, as coisas deixam de ser engraçadas. Mesmo assim, a gente espera que a entrada de Ciro na história traga um ponto de vista privilegiado, segredos que nenhum dos outros possuía. Seguindo a tendência geral do livro, a guinada não acontece e temos o personagem menos acabado dos cinco. A única explicação para o fato dele ser tão magnético é a beleza, que nem ao menos é descrita. Aí uma personagem que parece sugerir algo sobrenatural, é construída rapidamente uma história em torno dela e Ciro morre. Achei um triste fim para um livro tão devorativo.

O longo adeus

chandlerO gênero policial, de cara, não me interessou. Eu li muita Agatha Christie na minha adolescência, até cansar. O nome Philip Marlowe não me era estranho, por causa do Ernani Ssó. O fato de ser uma edição de bolso ajudava. Peguei porque a contracapa informava que O longo adeus era um dos maiores romances da literatura americana de todos os tempos. O superlativo, por mais que não fosse merecido, indicava um clássico. E clássicos sempre valem a pena, nem que seja para dizer que não gostou.

Se eu nunca havia lido Chandler ou Marlowe, como é que antecipadamente eu sabia que, por ser detetive, ele era um sujeito durão, solitário, um certo charme, cigarro no canto da boca, que apanha mas não se dobra, bebida alcoólica a qualquer hora do dia? E que ele tem suas conexões, uma relação pouco harmoniosa tanta com a polícia quanto com os bandidos, um escritório vazio e meio abandonado, não trabalha por dinheiro e sim por um sentido de honra bastante particular? Mais: como eu poderia antecipar as comparações interessantes, o humor e até mesmo a loira sedutora com culpa no cartório e que procura nosso herói para ajudar a encontrar seu marido desaparecido? Pior ainda: pra que ler Chandler e não os muitos que vieram depois, como Columbus ou até mesmo Ed Mort, depois de perceber tudo isso? Porque Chandler não é qualquer porcaria, ele não é qualquer um. Ele é o pai do gênero. Todos detetives particulares pé rapados são tributários a Marlowe. E tanta gente teve vontade de escrever detetives assim porque Chandler o faz com baita estilo:

Existem loiras e loiras, e isto é quase uma piada hoje em dia. Todas as loiras têm pontos em comum, exceto talvez as loiras metálicas que são tão loiras quanto um zulu embranquecido e com uma disposição tão macia quanto uma calçada. Há a loira pequena e engraçadinha, que anda perto do chão e ri agitada, a loira grande como uma estátua, que nos abraça com um simples olhar azul-gelado. Há a loira que nos dá uma olhada de alto a baixo e cheira bem que é uma beleza, brilha e se dependura no seu braço e está sempre muito, muito cansada quando você a leva pra casa. Ela fez um gesto desamparado e tem uma dor de cabeça danada e você tem vontade de bater nela e só não bate porque no fundo está satisfeito de ter descoberto da dor de cabeça antes de investir tempo, dinheiro e esperanças demais nela. Porque esta dor de cabeça via sempre existir, uma arma que nunca falha e é tão mortal quanto o espadim de um bravo ou o anel de veneno de Lucrécia.

Existe a macia e alcóolica loira que está a fim e não se importa com a roupas que veste desde que seja mink, ou para onde vai desde que seja para o Starlight Roof, onde tem champanha seco à beça. Existe a pequena e viva loira, que faz questão de pagar sua parte e vive cheia de raios de sol, bom senso, e sabe lutar judô, e pode puxar um chofer de caminhão por cima do ombro sem perder mais que uma linha do editorial do Saturday Review. Há a loira pálida com anemia de algum tipo não fatal mas incurável. É bem lânguida, bem sombria e fala macio sobre qualquer coisa. Você não pode tocar um dedo nela porque, em primeiro lugar, você não está a fim, e, em segundo lugar, ela está lendo The Waste Land ou Dante no original, ou Kafka ou Kierkegaard – ou então está estudando provençal. Ela adora música e quando a Filarmônica de Nova Iorque toca Hindemith é capaz de dizer qual dos seis contrabaixos vai aparecer num quarto compasso depois. Ouvi falar que Toscanini também consegue fazer isso. São dois, portanto.

E por último existe aquela maravilha que vai fazer hora com três gangsters da pesada e depois se casar com alguns milionários, um milhão por cabeça, e termina a vida com uma villa rosa-pálido em Cap d´Antibes, um Alfa-Romeo equipado com piloto e co-piloto, e um rebanho de sólidos aristocratas, sendo que a cada um deles ela irá tratar com uma afeição distraída, como se fosse um velho duque dizendo boa-noite ao seu mordomo.

Essa é outra vantagem de se ler os clássicos: chegar na fonte, entender como e porquê tudo começou.

Buscas no site

Eu sei que este é um blog sério e família, mas não resisti à tentação de colocar as coisas estranhas que trouxeram leitores a este blog. Lá vai:

caminhando dura depois de da o cu – Foi difícil assim, amiga?

só me aceitou no face pra não ser desagradável – Sei como é…

sexo com homens afegãos o que eles gostam? – Adoro buscas com taras específicas.

cu fora do normal – Tenho até medo de digitar isso no google…

estimulo virtual para caminhar – Caminhe, caminhe!

é muita vadia pra pouco – Esse nem conseguiu concluir.

caminhando para velhice e vc – Eu também, fazer o quê.

mulheres dando a vivera pro cavalo zoofilia – Ai…

como limpar book do banheiro – Pra gente que gosta de ler em todos os ambientes.

www.porno.pessoas.precisano.de.money.tubos.categores – Juro que não entendi.

zoofilia guia real 2013 tioria – Credo, tem guia, igual Guia Quatro Rodas?

mobidique livro – HAHAHAHAHAHA!

como o cisne negro mata o cisne branco documentario – Violência animal.

eu não amava animais – Que triste, amigo.

“sentir prazer sem sexo” – Ler um bom livro, dançar, comer…

nen sempre acredite no que te falam pode ser mentira – Concordo plenamente.

fotos de homens com o saco de fora – ….

videos pornos de maridos que levam suas esposas para se diverti com outras mulheris e outros homeis – Hahahahaha, amei o mulheris e homeis!

videos curtos video mulher gostosa traindo marido oficina – Tem que ser curto, se for longo ele perde a paciência.

todos os alunos da sétima b do samuel wainer 2013 – Esse quer organizar uma reunião de turma.

filmes porno com gozadas de jean val jean – Isso sim é gostar de Os Miseráveis!

muheres sem caus e sem sutam – Hein?

sonhar com buraco,mulher gravida e guaiamum – Buraco, grávida e… guaiamum?