O poder dos introvertidos

Quem é introvertido terá identificação imediata com essa palestra de Susan Cain, autora do best seller O poder dos introvertidos. O pouco que ela nos conta da sua história e até mesmo sua maneira de falar soam muito familiares para aqueles que passaram a vida sendo forçados a trabalhar em grupo e olhados com estranheza cada vez que faziam uma das coisas que os introvertidos mais gostam: estar sozinhos. A autora resgata não apenas o valor da interiorização e do silêncio para aqueles que os amam, mas também como uma qualidade deixada de lado pelas sociedades contemporâneas.

 

Nietzsche, por Viviane Mosé

O que eu sabia a respeito de Nietzsche, antes desse vídeo, era o que um professor meu havia dito numa aula: “Nietzsche foi um cara que quando todo mundo aplaudia a modernidade nascente, disse que aquilo não ia prestar. Mesma coisa que nasce um bebê lindinho e enquanto está todo mundo em volta, a pessoa diz ‘isso daí? Olha a cara dele, vai ser marginal, vai ser um Hitler’ “

A paixão com que Viviane Mosé fala da filosofia de Nietzsche, torna extremamente interessante esta palestra. O uso frio e estrito da razão, mas sem paixão ou sentimentos, deixa a vida amorfa, incompleta e sem sentido.
Então, estas coisas devem se combinar e também interferir uma na outra, com os riscos inerentes, não? (Alexandre Constantino, pelo Facebook)

Imagem de Amostra do You Tube

A fé costuma ser vista como privilégio – ou prova de falta de racionalidade – apenas daqueles que são religiosos. A fé pode ser definida como uma confiança em algo que não pode ser comprovado. Há uma frase atribuída a Santo Anselmo, o fundador da escolástica, que diz “não procuro entender para crer, mas creio para entender”. Em outras versões, a frase seria mais forte: “creio porque é absurdo”. A fé estaria, antes de tudo, baseada num sentimento subjetivo, como uma certeza. Apesar das tentativas de unir fé e razão, empreendidas por escolásticos e religiosos de todos os credos, ambas não costumam coincidir como métodos de análise. Por isso entendemos que existem aqueles que se baseiam na fé, e esses seriam os religiosos. Aqueles que buscam maneiras racionais de lidar com o mundo estariam mais próximos do racional e científico.

De acordo com Giddens, a fé é uma característica de todos nós numa sociedade moderna avançada; e tende a se tornar cada vez mais necessária. Com o aumento da divisão do trabalho e da tecnologia, ambos se tornam cada vez mais complexos. A partir de um ponto, torna-se impossível que cada membro da sociedade a conheça. Cada um pertence a um nicho de trabalho e tem uma cultura de certa forma autônoma. Não é possível trocar as pessoas de função, ou que um grupo conheça a cultura de outro. Numa sociedade agrícola, por exemplo, todos saberiam lidar com a terra. Nenhuma função ou atitude seria completamente desconhecida para os seus membros. Isso já não nos é mais possível. Ignoramos a maneira como quase tudo funciona à nossa volta. Sabemos colocar gasolina nos carros, mas não sabemos consertar um; usamos uma quantidade enorme de aparelhos eletrônicos sem fazer a menor idéia de como são feitos. Ignoramos até mesmo o trajeto burocrático dos papéis que nos pedem. Nas sociedades modernas, cada qual sabe realizar a tarefa que lhe cabe. Para o resto, temos que confiar – que o mecanismo desconhecido funcione bem, que as pessoas encarregadas realizem bem o seu trabalho. A essas pessoas Giddens chama de peritos.

O homem atual continua sendo um homem de fé, mas não de uma fé sobrenatural. É uma fé baseada num sistema de peritos. É uma fé nascida da necessidade de se mover dentro de um mundo complexo. Quando os peritos falham – carros com problemas mecânicos, médicos que perdem pacientes na mesa de operação, aviões que caem – , eles geram um sentimento generalizado de mal estar. No fundo, todos sabemos que eles são falíveis, mas preferimos não lembrar. Disso depende a nossa paz de espírito, porque não é possível desconfiar a cada passo. A fé moderna deixa a racionalidade de lado para sobreviver.