O que torna uma vida boa?

Durante 75 anos, a Universidade de Harvard tem acompanhado as mudanças físicas, relacionais, financeiras, desejos e realizações de 174 homens. No caminho tortuoso e imprevisível da vida desses homens, os pesquisadores encontraram alguns insights interessantes sobre a questão mais importante da vida humana: o que nos torna felizes.

(ative as legendas na barra, à direta)

A REVOLUÇÃO VIRAL – Como um grupo cultural previamente tido como irrisório mudou a balança política do país da noite para o dia

Por Rafael Savastano

Tem sido impossível desgrudar da TV e da internet na última semana. E, por incrível que pareça, não é por causa da Copa das Confederações, que tem sido vendida como um ensaio geral para a Copa do Mundo de 2014. Ao contrário do que até o mais insano dos insanos poderia prever, os últimos dias viram a eclosão de um movimento político popular como o país não via há mais de 20 anos, bem no meio de uma edição de gala, em solo nacional, de um evento esportivo que o senso comum sempre ditou ser um grande alienador das massas. De lá para cá, tenho lido e assistido inúmeras análises, opiniões, palpites, até mesmo os bons e velhos “chutes” por parte de toda sorte de cientistas políticos, catedráticos, medalhões da mídia, etc. Tenho visto todas as esferas de poder, de todos os partidos, apavorados como se estivessem saindo do banho e encontrassem um urso feroz e faminto no meio do banheiro, no caminho da porta. Atordoados, eles tiveram que rever suas agendas políticas no susto sem nem ao menos entender como um urso daquele tamanho passou pela porta sem que eles notassem. A grande diversão da minha vida nos últimos dias tem sido imaginar o teor das reuniões de cúpula emergenciais que foram convocadas do Oiapoque ao Chuí. E mesmo agora, que a reivindicação inicial da turba foi atendida com um misto de contragosto e derrota pelos governantes das principais metrópoles do Brasil, ninguém ainda conseguiu entender a essência do movimento.

Bem, eu não sou cientista político, nem filósofo, e muito menos catedrático. Mas eu sou um integrante do que provavelmente foi o elemento chave que inverteu a ordem das coisas, um grupo cultural que até semana passada eu nem tinha real compreensão de que fazia parte, ou sequer que existia. Mas daqui de dentro, enxergo muitas peças que se encaixam perfeitamente e completam o quebra-cabeça que tem tirado o sono dos analistas políticos, e por isso acho que vale a pena tentar esclarecer e enriquecer o debate.

Para começar a explicação, vamos resgatar um termo que já saiu de moda, mas que curiosamente se encaixa melhor para explicar os eventos atuais do que qualquer jargão que surgiu desde então: Cibercultura. (….)

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Alguns problemas sobre as drogas

A questão das drogas está novamente na moda, e é muito difícil discutí-la. É difícil saber definir o que são drogas – é o que causa viagem? É o que cria dependência? É o que causa prejuízos sociais? Existe a questão do que preenche os requisitos e é legalizado, enquanto outras substâncias podem causar efeitos menores e são proibidas. Nesse ponto, vemos a questão da tradição – o que estamos acostumados a consumir e considerar inocente – e de toda uma indústria que existe e lucra com o consumo de algumas coisas. Existe a questão da dosagem, do quanto é necessário consumir para os efeitos serem negativos. Há a discussão sobre a capacidade do indivíduo de se negar, ou caso ele opte por não se negar, sobre a sua capacidade de não se viciar. Nesse ponto entra a questão do livre arbítrio, do quanto é possível informar e do quanto esse nível de informação torna o sujeito responsável por suas ações. O que ninguém nega é a existência do vício, seus prejuízos, e que é muito mais salutar para a sociedade diminuir (ou anular) a quantidade de indivíduos químico-dependentes. Ou seja, que a droga é um mal.

Por ela ser um mal, fazemos campanhas de combate às drogas, acreditamos que adolescentes entram no mundo das drogas por causa das más companhias. Que às drogas cabe dizer não, porque é possível entrar num caminho sem volta. Os que conseguem sobreviver nos relatam o inferno que suas vidas se tornaram, a perda de tudo que lhes era importante e o difícil caminho da reconstrução. Caminho esse que geralmente envolve uma conversão religiosa. Do Estado esperamos repressão total – entendemos ações violentas como parte do processo e condenamos quando se mostra fraco diante do poder do tráfico. Nessa luta do bem contra o mal, a alternativa de descriminalizar o uso soa a alguns como uso indiscriminado, aprovação e compactuação com o vício. Como se de alguma forma fosse preciso dizer sempre não, que a única alternativa moralmente correta seja a de proibir – qualquer coisa diferente disso seria imoral. Parece que o Estado assume o mesmo dilema dos pais no que diz respeito às coisas erradas: impedir o acesso até chegar à maturidade ou deixar conhecer sob a sua supervisão? Essa demonização também merecia ser revista, o quanto ela impede ou serve de estímulo para o que queremos evitar.

A questão das drogas me parece um exemplo dramático da dificuldade de escolher (ou conciliar) as duas éticas weberianas: a ética da convicção e a ética do esclarecimento. Proibir as drogas está de acordo com nossas crenças de que elas são nocivas, perigosas, más. Na ética da convicção, ao colocarmos as drogas como poderosas e ruins, entendemos que o melhor é impedir seu acesso, formar aparelhos repressores físicos e morais para impedirem os indivíduos de consumi-las. Na ética do esclarecimento, nos apoiamos nos dados que apontam o fracasso continuado das campanhas, reconhecemos o uso, a vontade de experimentar e que talvez seja inevitável que alguns trilhem um caminho de auto-destruição através delas. Apesar de reconhecer nela um mal, agimos de maneira a evitar que o uso de drogas se associe à violência, clandestinidade e doenças. E pra isso permitimos algo, com o pressuposto de que seria usado de qualquer forma. Como Weber aponta, nenhuma das duas éticas é melhor do que a outra e nem funcionam de maneira absoluta. Encontrar a maneira de conciliá-las, de maneira a causar o menor dano possível, é o grande desafio.